jun 21, 2016

Publicado em crianças, Destaque, Mensagens & Reflexões, Notícias | 1 Comentou

Anencefalia e o Espiritismo

O homem tem o direito de interromper a vida humana? Até aonde vai o vínculo entre o espírito e a matéria? O individuo é somente um aglomerado de células?

A polêmica sobre a existência e a pré-existência do espírito e o momento de sua concepção, em relação ao corpo físico, perturba a ciência, a religião e a filosofia terrena. Os indivíduos materialistas dizem que o homem é apenas um composto de matéria densa, iniciando a vida no berço e terminando no túmulo e nada mais.

As religiões dogmáticas impõem e acreditam que “Deus” cria a alma a partir da concepção do fenômeno fisiológico, a filosofia divaga sobre idéias passageiras de acordo com os modismos criados por seus adeptos.
Todos estes questionamentos, que assolam a mente humana, e dizem respeito sobre o nascimento, a vida, a morte e, principalmente, sobre o aborto, provocam discussões acaloradas nas religiões.

A ciência embriogenista identificou a presença, no zigoto de registros (“imprints”), mnemônicos próprios que evidenciam a riqueza da personalidade humana, manifestando-se, muito cedo, na embriogênese, ou seja, o zigoto e o embrião inicial são organismos humanos vivos, nos quais já estão pré-fixadas e determinadas todas as características do indivíduo adulto. Sendo assim, não dá para romper qualquer ponto da trajetória do zigoto, do feto, da criança, do adulto e do velho sem causar danos irreversíveis ao bem maior, que é a própria vida.

Allan Kardec indaga os espíritos na questão 344: “Em que momento a alma se une ao corpo?” E a resposta em toda sua clareza é: “… desde o instante da concepção, o espírito designado a habitar certo corpo, a este se liga por um laço fluídico”.

Os espíritos nos esclarecem na questão 360: “É racional ter pelos fetos o mesmo respeito que se tem pelo corpo de uma criança que tivesse vivido?”

Resposta: “Em tudo isto vede a vontade de Deus e a sua obra, e não trateis levianamente as coisas que deveis respeitar.”.

Quais são os motivos que nos levam da desistência dos nossos próprios semelhantes? Quais são os parâmetros da verdadeira felicidade? O que nos leva a definir o estereotipo perfeito? Porque descartamos seres indefesos como se fossem sucatas?

A Anencefalia (ausência de cérebro) hoje é um dos temas que nos faz pensar e indagar o porquê de tantos sofrimentos e diferenças, esta má-formação que resulta na ausência parcial do cérebro físico do bebê que está sendo gerado. Logo sabemos que esses fetos possuem alguma estrutura do encéfalo, como o tronco encefálico, o diencéfalo e, em alguns casos, presença de hemisfério cerebral e córtex.

O feto chamado erroneamente de “anencéfalo” tem preservada a parcela mais entranhada do encéfalo que é considerado pela ciência de cérebro primitivo, é o que controla atividades vitais do organismo como: batimentos cardíacos e capacidade de respirar por si próprio, ao nascer.
Podemos citar o caso da recém nascida chamada Marcela de Jesus Galante Ferreira, é um caso de anencefalia tendo somente uma parte do encéfalo e o tronco cerebral, ela pesa 3,8kg e mede 58 centímetros, batendo todos os recordes de sobrevivência chegando a vários meses de vida, esta criança virou um símbolo da luta pela vida.

Interrogando a nossa consciência questionamos: o que fazer nestes casos?

Diz O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, na questão 347: “- Que utilidade pode haver para um Espírito a sua encarnação num corpo que morre poucos dias após o nascimento?

Resposta: “O ser não tem alta consciência de sua existência: a importância da morte é quase nula: como já o dissemos, é muitas vezes uma prova para os pais”.

Também vem nos esclarecer a questão 355: “Há como indica a ciência, crianças que desde o ventre da mãe não tem possibilidades de viver? E com que fim acontece isso?”

Resposta: “Isto acontece frequentemente, e Deus o permite como prova, seja para os pais, seja para o espírito destinado a encarnar”.

O Aborto praticado para evitar o nascimento de uma criança portadora de anomalia física (malformações como os anencéfalos) ou psíquica, é chamado pela ciência de aborto eugênico ou eugenésico e seu significado etimológico é bom nascimento do grego eu (bem, bom, belo) + gênesis (geração, produção, criação).
Alguns médicos que juraram proteger a vida humana defendem a realização do aborto eugenésico, principalmente nas ocorrências de malformação de fetos, naqueles em que não tenham condições de sobreviver.

Em “O Livro dos Espíritos”, na questão 359, a espiritualidade diz ser “Preferível que se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe”; valendo somente se a vida da mãe corre perigo pela proximidade do parto.

A ciência, a sociedade e os homens que regem as leis terrenas, podem se comprometer e muito se permitir o aborto no caso da anencefalia, em que o feto morre horas ou dias após o parto, quando não ocorre aborto espontâneo durante a gravidez.

Será que não estamos arrumando uma desculpa ou uma justificativa para liberarmos o aborto?

Os homens insistem em negar a verdade revelada pela Doutrina dos Espíritos, ensinando que o individuo não é somente um corpo de matéria orgânica animada, e sim um espírito imortal, composto de um instrumento psicossomático para a sua evolução.

O Espiritismo nos mostra que a malformação do feto está ligada a débitos anteriores da entidade reencarnante, e os pais muitas vezes colaboraram com a queda desta alma, tendo agora o compromisso de assumir os seus reajustes perante as leis divinas.

O aborto eugênico ou eugenésico não deve ser praticado e nem incentivado em qualquer circunstância, é uma maneira que algumas pessoas encontraram de não assumir suas próprias responsabilidades, incluindo esta barbaridade na categoria dos abortos que não são delituosos nas reformas do código penal brasileiro.

Na questão 358, novamente em “O Livro dos Espíritos”, os espíritos nos dizem que o aborto é um crime, porque transgride as leis de Deus, seja a mãe ou qualquer pessoa cometerá um crime ao tirar a vida humana, impedindo a alma de passar pelas provas.

Alguns espíritos necessitados, com graves comprometimentos cármicos principalmente o suicídio, buscam para o seu equilíbrio esse tipo de processo chamado anencefalia, são submetidos à ligação provisória com o embrião, eles sentem a fusão do espírito com a matéria, mesmo que seja rápido, e com o amor dos pais e principalmente da mãe, readquire pouco a pouco, a inteira consciência, entorpecida às vezes anos a fio vivida nas sombras da escuridão.

O aborto criminoso tira a chance do indivíduo apaziguar com sua própria consciência, os dissabores criados em suas vidas anteriores, e o tratamento do espírito para aliviar suas aflições é dado somente através da bendita reencarnação, reconstituindo o seu perispírito e refazendo com sua consciência o auto-perdão e o amor próprio sem o exagero do sentimento de culpa.
Deus sendo perfeito não iria falhar no seu atributo de soberana bondade e justiça, o nascimento de criaturas disformes ou monstruosas, como o nascimento de seres com saúde e vigor, vem da celebre frase do Cristo: “A plantação é livre mais a colheita é sempre obrigatória”.

Antes de qualquer decisão que venhamos tomar cabe a todos nós, seguir os ensinamentos cristãos do amor ao próximo e a nós mesmos, orando e vigiando, pedindo ao Criador que possa atuar da melhor maneira possível, oferecendo oportunidades de resgate e evolução para todos, como o filho pródigo que retorna a casa do pai.

Escrito por Eduardo Lourenço

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